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Samedi 24 Fevrier 2018
  [Coup de coeur]

Napoleão em socorro de Macron - Opinião

Julgo que é isso mesmo que Macron, ao defender uma Córsega fiel aos valores republicanos, tenta dizer aos corsos: é possível ser corso e francês. A melhor das provas, acrescento eu, será mesmo Napoleão Bonaparte.
Por Leonídio Paulo Ferreira, in DN

Retour au début  Córsega:

Nunca a França foi tão poderosa como no tempo de Napoleão e, no entanto, o general que se coroou a si próprio imperador francês nasceu na Córsega em 1769, um ano apenas depois de Génova ter cedido a ilha. E o pai de Napoleão, tal como boa parte do clã dos Bonaparte, fez parte dos que combateram pela independência corsa até a Batalha de Ponte-Novo ter concretizado a incorporação na coroa francesa. Ora, embora desde há dois séculos e meio serem franceses, muitos corsos nunca deixaram de ser tentados pelo independentismo, até com luta armada; e mesmo hoje o facto de os partidos nacionalistas governarem a ilha representa um desafio para Paris, mesmo que não comparável ao feito pela Catalunha a Espanha nos últimos meses.

Emmanuel Macron, presidente há menos de um ano, tem pois uma prova de fogo nesta sua visita de dois dias à ilha, tendo já mostrado que por muito que aceite dialogar há temas sagrados, como a bandeira francesa ter de estar presente no encontro que teve com os líderes nacionalistas (o que aconteceu). Hoje falará sobre a sua visão para o futuro da Córsega, sabendo-se já que não aceita que o idioma local tenha estatuto oficial igual ao da língua francesa, uma das reivindicações dos nacionalistas, que, pragmáticos, exigem agora mais autonomia e não a independência.

A França tem bem mais de um milénio de luta por ser um Estado-Nação, integrando territórios tão diversos como a Bretanha, a Alsácia, parte do País Basco e, claro, a Córsega. E o resultado é, admita-se, admirável. Em tempos, um francês nascido na Bretanha disse--me não ter problemas em conciliar a sua nacionalidade bretã com a sua cidadania francesa, pois há muitas culturas em França, não uma única, e o país ganha com essa diversidade. Julgo que é isso mesmo que Macron, ao defender uma Córsega fiel aos valores republicanos, tenta dizer aos corsos: é possível ser corso e francês. A melhor das provas, acrescento eu, será mesmo Napoleão Bonaparte.

Le: 07/02/2018 07:45:24
  D.Ribeiro

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